Por Dr. Felipe Eduardo Costa Vidigal — Urologia e Cirurgia Robótica | Membro Titular SBU | Mestre pela UFMG
Você sabia que existe uma alternativa moderna à cirurgia tradicional de próstata para tratar a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), popularmente conhecida como “próstata aumentada”. Essa alternativa se chama enucleação da próstata a laser, e ela tem dois protagonistas técnicos principais: o HoLEP (Holmium Laser Enucleation of the Prostate) e o ThuLEP (Thulium Laser Enucleation of the Prostate).
Neste artigo, o Dr. Felipe Vidigal, urologista com vasta experiência no tratamento da Hiperplasia de Próstata, aborda de forma clara e acessível os principais aspectos dessa condição. Se você percebeu que o jato da urina está mais fraco, está acordando a noite para urinar ou não esvazia totalmente a bexiga quando urina, este texto é para você. Aqui você vai entender o que está acontecendo, por que acontece e — o mais importante — que existem soluções reais e eficazes.
Este texto foi escrito para explicar, com profundidade e clareza, o que são o HoLEP e o ThuLEP, por que eles representam o estado da arte no tratamento cirúrgico da HPB, e como é, na prática, a jornada de quem passa por esse procedimento comigo.
O que é a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)?
A próstata é uma glândula que envolve a uretra masculina logo abaixo da bexiga. Com o avançar da idade — mais especificamente a partir dos 40-50 anos — é extremamente comum que ela cresça de tamanho, um processo benigno (não canceroso) chamado Hiperplasia Prostática Benigna. Esse crescimento, no entanto, pode comprimir a uretra e causar sintomas que afetam diretamente a qualidade de vida:
- Jato urinário fraco ou intermitente
- Necessidade de urinar diversas vezes durante a noite (nictúria)
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
- Urgência urinária e dificuldade para iniciar a micção
- Em casos mais avançados, retenção urinária aguda, infecções de repetição ou até lesão renal
Quando o tratamento clínico com medicações não é mais suficiente, ou quando a próstata atinge um volume muito grande, a cirurgia se torna a alternativa mais eficaz e definitiva. É aqui que entram as técnicas de enucleação a laser.
Enucleação da Próstata HoLEP e ThuLEP: o que significam e por que são considerados o “padrão-ouro”
Durante décadas, o tratamento cirúrgico padrão da HPB foi a Ressecção Transuretral da Próstata (RTU), um procedimento eficaz, mas com limitações relevantes: sangramento mais significativo, risco de síndrome de reabsorção hídrica (síndrome RTU) e, principalmente, uma limitação prática de tamanho — próstatas muito volumosas frequentemente exigiam cirurgia aberta, com incisão abdominal, maior dor pós-operatória e internação mais longa.
O HoLEP e o ThuLEP mudaram esse cenário.
HoLEP (Enucleação Prostática com Laser de Hólmio) utiliza um laser de hólmio para literalmente “descascar” o tecido prostático obstrutivo de dentro para fora, separando-o da cápsula cirúrgica da próstata de forma muito semelhante ao que se faria numa cirurgia aberta — mas por via endoscópica, sem nenhum corte externo. O tecido enucleado é então fragmentado dentro da bexiga (processo chamado morcelação) e removido.
ThuLEP (Enucleação Prostática com Laser de Túlio) segue o mesmo princípio anatômico de enucleação, mas utiliza a tecnologia do laser de túlio, que emite energia de forma contínua (diferente do padrão pulsado do hólmio). Isso resulta em um corte extremamente preciso, com excelente capacidade hemostática (controle de sangramento) e uma curva de aprendizado, na minha experiência prática, ligeiramente mais suave para determinados perfis de tecido prostático.
Ambas as técnicas compartilham o mesmo objetivo: remover completamente o adenoma prostático obstrutivo — praticamente todo o tecido que está causando os sintomas — preservando a cápsula prostática e as estruturas nervosas e esfincterianas ao redor. Na prática, isso significa resultados funcionais superiores e menor taxa de retratamento a longo prazo em comparação com técnicas mais antigas.

As principais vantagens do HoLEP e do ThuLEP
- Ausência de limite de tamanho prostático. Diferente da RTU tradicional, HoLEP e ThuLEP podem ser realizados em próstatas de qualquer volume — inclusive glândulas muito grandes, que antes só podiam ser tratadas com cirurgia aberta.
- Sangramento significativamente menor. A energia do laser cauteriza os vasos sanguíneos à medida que corta o tecido, reduzindo a necessidade de transfusão sanguínea, o que é especialmente relevante para pacientes em uso de anticoagulantes.
- Internação hospitalar mais curta. Muitos pacientes recebem alta em 24 a 48 horas, contra períodos mais longos em cirurgias abertas.
- Remoção completa do tecido obstrutivo. Isso se traduz em taxas de retratamento muito baixas — ao contrário da RTU convencional, onde parte do tecido pode ser deixada para trás e voltar a crescer.
- Recuperação mais rápida do fluxo urinário. A maioria dos pacientes nota melhora expressiva do jato urinário já nos primeiros dias após a retirada da sonda.
- Menor tempo de sondagem vesical em comparação a outras técnicas cirúrgicas para próstatas volumosas.
- Procedimento sem cortes externos, ou seja, sem cicatriz visível, sem os riscos de uma incisão abdominal e com retorno mais rápido às atividades cotidianas.
HoLEP ou ThuLEP: qual é o melhor para o meu caso?
Essa é, sem dúvida, a pergunta mais frequente que recebo no consultório — e a resposta honesta é: depende. Não existe uma técnica “superior” de forma absoluta; existe a técnica mais adequada para o seu volume prostático, sua anatomia, suas comorbidades e o equipamento disponível na instituição onde você será operado.
Na avaliação inicial, realizo uma investigação completa — que inclui exame de imagem para mensuração precisa do volume prostático, avaliação urodinâmica quando necessária, exames laboratoriais e uma conversa aprofundada sobre seus sintomas e expectativas — para definir, junto com você, qual das duas tecnologias (ou eventualmente outra abordagem) melhor se adapta ao seu quadro clínico. Essa personalização da decisão terapêutica é parte central da forma como conduzo o cuidado urológico.
A jornada do paciente: como é, na prática, o caminho até a cura
Um dos aspectos que mais valorizo na minha forma de praticar urologia é acompanhar o paciente como uma jornada completa — não como um evento cirúrgico isolado. Veja como estruturo essa jornada, etapa por etapa.
1. Consulta inicial e escuta ativa
Tudo começa com uma consulta detalhada, na qual busco entender não apenas os sintomas urinários, mas o impacto real deles na sua vida: seu sono, sua vida social, sua vida sexual, sua rotina de trabalho. Muitos pacientes convivem anos com sintomas que consideravam “normais da idade” — e um dos primeiros passos da jornada é justamente validar essas queixas e mostrar que existe solução.
2. Investigação diagnóstica precisa
Solicito os exames necessários para mapear com exatidão o volume prostático, descartar outras causas para os sintomas (incluindo o rastreamento oncológico com PSA e, quando indicado, exames de imagem mais avançados) e planejar a cirurgia com segurança.
3. Definição compartilhada da técnica cirúrgica
Aqui explico, com linguagem acessível, as opções disponíveis — HoLEP, ThuLEP ou outras técnicas, quando aplicável — e as razões técnicas pelas quais uma delas é mais indicada para o seu caso específico. Você participa ativamente dessa decisão.
4. Preparo pré-operatório
Orientações claras sobre exames pré-anestésicos, ajuste de medicações (especialmente anticoagulantes e antiagregantes), jejum e o que esperar no dia da cirurgia.
5. O procedimento cirúrgico
A enucleação prostática a laser é realizada sob anestesia (raquianestesia ou geral, a depender da avaliação anestésica), por via endoscópica, sem qualquer incisão externa. O tempo cirúrgico varia conforme o volume prostático, mas de forma geral é um procedimento ágil e seguro quando realizado por um cirurgião com curva de aprendizado consolidada — e aqui entra, novamente, a relevância da experiência: eu já apliquei essas técnicas em um volume expressivo de casos, tanto em ambiente nacional quanto em intercâmbios cirúrgicos internacionais, o que se traduz em segurança e previsibilidade para você.
6. Pós-operatório imediato
Você permanece internado por um curto período — geralmente 24 a 48 horas — com sonda vesical para lavagem e cicatrização inicial. A equipe monitora diurese, dor e sinais de sangramento.
7. Alta hospitalar e retirada da sonda
A sonda costuma ser retirada em poucos dias, e a maioria dos pacientes já percebe, nesse momento, uma melhora expressiva no jato urinário — muitas vezes descrita como “eu não urinava assim há anos”.
8. Recuperação domiciliar
Orientações específicas sobre atividades físicas, retorno ao trabalho, vida sexual e sinais de alerta são fornecidas de forma individualizada, com um canal de comunicação direto comigo para qualquer dúvida nesse período.
9. Acompanhamento a longo prazo
O acompanhamento não termina na alta. Realizo consultas de retorno programadas para avaliar a evolução dos sintomas, função urinária e eventual necessidade de ajustes, garantindo que o resultado da cirurgia se mantenha estável ao longo dos anos.
Essa estrutura de jornada — escuta, diagnóstico preciso, decisão compartilhada, execução técnica de excelência e acompanhamento contínuo — é o que busco oferecer a cada paciente que confia seu cuidado a mim.
Por que a experiência internacional faz diferença real no seu tratamento
Um ponto que costuma passar despercebido pelos pacientes é o seguinte: a qualidade de um resultado cirúrgico está diretamente relacionada ao volume de casos e à diversidade de cenários clínicos que o cirurgião já enfrentou. Cirurgiões que atuam exclusivamente dentro de um único serviço tendem a repetir um padrão limitado de casos. Já a atuação como proctor internacional — formando e operando ao lado de outras equipes cirúrgicas robóticas, como fiz em proctorias e cirurgias conjuntas no México e em El Salvador — expõe o cirurgião a diferentes perfis anatômicos, diferentes níveis de complexidade e diferentes protocolos institucionais.
Essa vivência se converte, na prática, em três benefícios diretos para quem se trata comigo:
- Repertório técnico mais amplo para lidar com situações intraoperatórias inesperadas;
- Capacidade de ensinar — quem domina uma técnica a ponto de formar outros cirurgiões, domina os detalhes finos que fazem diferença em segurança e resultado;
- Atualização constante, já que a troca com equipes internacionais mantém o padrão de prática alinhado ao que existe de mais avançado no mundo, e não apenas ao que é praticado localmente.
Riscos, expectativas realistas e segurança
Nenhuma cirurgia está isenta de riscos, e parte do meu compromisso com a transparência é explicar isso com clareza, sem minimizar nem exagerar. Entre os eventos possíveis, mesmo que pouco frequentes, estão sangramento, infecção urinária, necessidade de nova sondagem, estreitamento uretral (estenose) e, como em qualquer cirurgia prostática que trata a obstrução, alteração da ejaculação (ejaculação retrógrada), que é esperada na maioria dos casos e deve ser discutida previamente conforme o seu contexto e expectativas — especialmente para pacientes que desejam preservar fertilidade ou têm outras prioridades pessoais relacionadas a isso.
O risco de incontinência urinária permanente é baixo quando o procedimento é realizado por um cirurgião experiente, respeitando os planos anatômicos corretos durante a enucleação — mais um motivo pelo qual a experiência acumulada do cirurgião é um fator determinante de segurança.
Quem é candidato ao HoLEP ou ao ThuLEP?
De forma geral, são candidatos ao procedimento homens com:
- Sintomas urinários moderados a severos causados por HPB, confirmados por avaliação clínica;
- Falha ou resposta insatisfatória ao tratamento medicamentoso;
- Retenção urinária recorrente;
- Infecções urinárias de repetição associadas à obstrução prostática;
- Sangramento recorrente de origem prostática;
- Próstatas de grande volume, que tradicionalmente exigiriam cirurgia aberta;
- Pacientes em uso de anticoagulantes, para os quais a menor taxa de sangramento é especialmente vantajosa.
A avaliação individualizada em consulta é o que confirma, com segurança, se você é ou não candidato ideal a essa abordagem.
Perguntas frequentes sobre HoLEP e ThuLEP
A enucleação a laser cura definitivamente a HPB? Como o procedimento remove praticamente todo o tecido obstrutivo, a taxa de recidiva de sintomas por novo crescimento prostático é muito baixa, sendo considerada, na prática clínica, uma solução de longa duração para a grande maioria dos pacientes.
A cirurgia deixa cicatriz? Não. Todo o procedimento é realizado por via endoscópica, através da uretra, sem qualquer incisão na pele.
Quanto tempo dura a internação? Geralmente entre 24 e 48 horas, podendo variar conforme o volume prostático e a evolução clínica individual.
Existe limite de idade para realizar o procedimento? Não existe um limite rígido de idade; a decisão é baseada nas condições clínicas gerais do paciente e na avaliação de risco cirúrgico e anestésico.
A cirurgia afeta a vida sexual? A ereção geralmente é preservada. A ejaculação retrógrada (ejaculação que segue em direção à bexiga em vez de sair pela uretra) é um efeito esperado na maioria dos pacientes submetidos a esse tipo de cirurgia, e deve ser conversada individualmente durante a consulta.
Qual a diferença prática entre o HoLEP e a cirurgia aberta de próstata? Ambas removem o mesmo tecido obstrutivo com o mesmo princípio de enucleação, mas o HoLEP faz isso sem nenhum corte externo, com menor sangramento, internação mais curta e recuperação mais rápida.
Mensagem do Dr. Felipe Vidigal
Tratar a Hiperplasia Prostática Benigna com enucleação a laser — seja HoLEP, seja ThuLEP — exige mais do que o domínio de uma técnica cirúrgica pontual. Exige um cirurgião com bagagem consolidada, capacidade de ensinar o que domina (a ponto de formar outros médicos, inclusive fora do Brasil), e, sobretudo, um compromisso genuíno com a jornada completa do paciente — da primeira consulta ao acompanhamento de longo prazo.
Como urologista com titulação pela Sociedade Brasileira de Urologia, mestrado pela UFMG, atuação em instituições de referência em Brasília e experiência cirúrgica que atravessa fronteiras — com proctorias e cirurgias conjuntas realizadas no México e em El Salvador —, meu objetivo é oferecer a você não apenas uma cirurgia tecnicamente impecável, mas um cuidado urológico completo, personalizado e humano.
Se você convive com sintomas urinários que já comprometem sua qualidade de vida, agende uma consulta e vamos, juntos, traçar o melhor caminho para a sua recuperação.
➡️ Veja também: Quando procurar um urologista
Guideline Hiperplasia de Próstata EAU: https://uroweb.org/guidelines/management-of-non-neurogenic-male-luts